Em uma publicação a que já me referi neste site, no primeiro parágrafo, fiz referência ao Teatro Municipal de S.Paulo, citando concertos que lá assisti, que fiquei “viciado” em ouvir músicas sinfônicas, assim como, nos anos seguintes, fiquei também viciado em geoquímica, ao participar da equipe de geocientistas do Instituto de Tecnologia Industrial. Nunca deixei de ouvir música clássica e, por sorte, no ITI havia um grupo de geocientistas, que se empolgavam também com música erudita. Nos nossos encontros periódicos o que ouvíamos (usando aqueles antigos, mas ainda muito apreciados discos de vinil) era a música “programática” ou descritiva, isto é: aquela que se contrapõe á “música pura” ou abstrata. Sempre estavamos tentando classificar e separar aquelas composições que, de alguma maneira, lembrassem a natureza ou que fossem inspiradas em qualquer fato próximo ás Ciências da Terra. O “Rio Moldávia” de Smetana era a mais ouvida. Não havia muitas opções naqueles tempos dos anos 50. Existiam poucas gravações no mercado e os concertos sinfônicos eram muito raros.
Hoje o quadro mudou. Além dos concertos ao vivo com grandes orquestras sinfônicas serem muito mais frequentes, temos no Youtube na internet, a chance de ouvirmos, praticamente de graça, todas as obras de compositores, desde os do classicismo, os românticos, os impressionistas, e modernos, e escolher com facilidade, as musicas que mais nos agradam.
Abaixo, selecionei 15 exemplos de “música programática” envolvendo geociência. Outras dezenas existem e cada um pode pesquisar de acordo com seu gosto. Mas chamo, aqui, atenção para quatro obras que considero exemplos mais marcantes da influência das geociências na música erudita. No topo da lista está EineAlpensimphonie, Op. 64, do Alemão Richard Strauss (nada a ver com os Strauss vienenses). A obra é uma narrativa de uma escalada pelas montanhas geladas dos Alpes no sul da Alemanha. O compositor usa uma orquestra de 137 músicos, inclusive com instrumentos estranhos como uma maquina do vento para imitar um vendaval. Vários movimentos da sinfonia têm denominações que sugerem os mistérios da natureza.
Duas outras obras que retratam montanhas, ambas de um mesmo compositor, Alan Hovhaness, são obras recentes, sendo que a Sinfonia n. 50, Mount St. Helens se enquadra perfeitamente no estilo “música programática”. Ela foi inspirada na famosa erupção de 1980 do vulcão de mesmo nome, no Estado de Washington, nos Estados Unidos. A outra composição, “Mysterious Mountain”, é a sinfonia mais famosa do aoutor e tem, no seu segundo movimento, uma “dupla fuga” que é considerada uma das peças contrapontísticas mais admiradas do século 20. (Estou me referindo ao “segundo movimento”).
A quarta escolha é o poema sinfônico a Gruta de Fingle, de Mendelssonhn, composta em 1830 após sua visita às Ilhas Hébridas, na Escócia. A composição é um dos exemplos significativos da influência da paisagem geológica sobre a arte musical. O ambiente que inspirou Mendelsonnh foi a gruta que tem sua entrada no nível do mar e é constituída de colunas de rochas basálticas, desde a base até o teto. As ondas do mar ao penetrarem na gruta se chocam contra as paredes, produzindo ecos ruidosos, ouvidos a grande distância. “Gruta da Melodia” era o nome que os habitantes primitivos davam ao lugar.
Composições apresentando MONTANHAS como tema Principal:
Richard Strauss, Una Sinfonía Alpina, Op. 64 ( Proms 2012 )
Mysterious Mountain (Symphony No. 2) I. Andante con moto – Alan Hovhaness – time lapse
Composições descrevendo Mar ou Tempestade:
Antonio Vivaldi – “La tempesta di mare”
Debussy – La Mer
Composições envolvendo a Astronomia:
Gustav Holst – The Planets – Jupiter, the Bringer of Jollity
Composições descrevendo Rios:
Ferde Grofé: Grand Canyon Suite
Composições Envolvendo Geologia:
Heitor Villa-Lobos: Erosão (1950)
Mendelssohn’s Hebrides Overture – “Fingal’s Cave”
