Quando Djalma propôs, em uma entrevista, que o Governo de Minas devia formar um Fundo com uma pequena parte dos futuros lucros daquelas jazidas (royalties) para dar suporte a órgãos de pesquisa geocientíficas e agronômicas estaduais, houve um completo silêncio, que perdurou por vários governos, iniciando, naquela hora, um doloroso processo de decadência do ITI. A Fertisa, detentora das duas jazidas, foi logo extinta e sucedida, em 1957, pela Camig, que, por sua vez, foi também extinta, passando as jazidas e os royalties respectivos para a Metamig, que se transformou em Comig, em 1990. Esta última foi extinta em 2003, sendo criada a Codemig, que, hoje, administra, com invejável autonomia, os royalties que resultaram das pesquisas do velho ITI. O processo surdo de disputa dessa vultosa soma de recursos foi como se o nióbio representasse, virtualmente, um “Pré-Sal de Minas…”.

Não existem, até hoje, dados precisos de fontes oficiais do quanto é recebido anualmente pelo Estado, como royalties relativos ao nióbio e à apatita. Sabe-se, entretanto, que o novo Centro Administrativo do Estado, há pouco inaugurado, não contou com verbas orçamentárias, mas somente com royalties. De qualquer maneira, é gratificante para a comunidade de geocientistas de Minas Gerais descobrir que o legado de um geocientista e do ITI continua contribuindo, pesadamente, para o nosso progresso. Mesmo não sendo tais geocientistas lembrados.

Jamais se poderá dizer que um Serviço Geológico bem estruturado e comandado por geocientistas competentes (como pensava Lucas Lopes) não seja a melhor e mais lógica solução para levantar as riquezas minerais de um Estado privilegiado como o nosso. (Uma discussão sobre a competência do Estado em manter um órgão Geocientífico foi publicada por Dutra no jornal Estado de Minas em 23/11/2006).

Na foto Cláudio Dutra planta uma árvore no Barreiro, Araxá, para comemorar os 50 anos da descoberta do Nióbio. Estavam presentes os dirigentes da CBMM em 10 de maio de 2003.

Os últimos anos

Em 1964, já aposentado no ITI, Djalma Guimarães passou a dar aulas e publicar livros didáticos patrocinados pelo DNPM, para suprir os novos cursos de Geologia que haviam sido criados. Continuou, ainda, a usar os laboratórios do ITI por algum tempo, pois tentou montar laboratório geoquímico na UFMG, no Curso de História Natural, mas não conseguiu levar tal projeto avante. Foi para o DNPM/BH, onde passou a ser Consultor, dedicando-se, apenas, à petrografia e a publicar artigos de discussões teóricas. Com a criação da CPRM, em 1970, foi transferido para a Agência dessa empresa, em 1971. A falta de um laboratório, em muito, limitou sua atividade como geoquímico. Não publicou nenhum trabalho, nesta área, nos 2 anos que passou na CPRM. As poucas publicações que fez, nesse período, foram hospedadas pelo DNPM ou custeadas pelo próprio autor. Pode se afirmar que o último trabalho de Geoquímica de Guimarães foi a comunicação de uma nova ocorrência de pirocloro em Catalão II, feita, em 1970, ao XXIV Congresso Brasileiro de Geologia (Dutra e Guimarães, 1970). Guimarães publicou cerca de 260 trabalhos, sendo que 110 foram executados no período de 18 anos em que permaneceu como funcionário do ITI, na qualidade de chefe do seu Setor de Geologia e Geoquímica.